terça-feira, 30 de junho de 2009

ONDE COLOCAS O SAL

Somos o que fazemos. Mas somos, principalmente,
o que fazemos para mudar o que somos.


O velho Mestre pediu a um jovem triste que colocasse uma mão cheia de sal
em um copo d ' água e bebesse.
Qual é o gosto? - perguntou o Mestre.
-Ruim - disse o aprendiz.
O Mestre sorriu e pediu ao jovem que pegasse outra mão cheia de sal e levasse a um lago.
Os dois caminharam em silêncio e o jovem jogou o sal no lago.
Então, o velho disse:
- Beba um pouco dessa água.
Enquanto a água escorria do queixo do jovem o Mestre perguntou:
- Qual é o gosto?
- Bom! disse o rapaz.
- Você sente o gosto do sal?, perguntou o Mestre.
- Não, disse o jovem.
O Mestre, então, sentou ao lado do jovem, pegou em suas mãos e disse:
- A dor na vida de uma pessoa não muda. Mas o sabor da dor depende de onde a colocamos. Quando você sentir dor, a única coisa que você deve fazer é aumentar o sentido de tudo o que está a sua volta.
É dar mais valor ao que você tem do que ao que você perdeu.
Em outras palavras:
É deixar de Ser copo para tornar-se um Lago.

segunda-feira, 29 de junho de 2009

SENSATEZ


A moderação semeia, por onde transita, a confiança;
desperta nos outros a tranqüilidade e a benevolência.

Ao falares com quem quer que seja, modera a conversa; tuas palavras, em excesso,
certamente desapontarão quem te ouve.

A sensatez é sinal de educação; assegura, a quem está contigo,
sobre a posição em que te encontras, na escala do amor.

Se o teu companheiro fala demais, compara-o à tua impaciência em ouvi-lo.

Se muitos confirmam que alguém é falador, observa a tua posição frente aos demais,
e corrija, dentro de teu alcance, os teus desequilíbrios,

para que outros não se impacientem contigo.

Deves lutar, com tuas forças disponíveis, na aquisição do teu bem-estar, porém,
a tua paz não deve custar sacrifícios aos outros.

Quem se alegra com a tristeza alheia é mais infeliz.

Favorece aos bons costumes o ouvir palavras sensatas, ou ler mensagens de equilíbrio.

A fala e a escrita abrem a consciência, onde podes plantar ou cultivar a semente de Deus.

A exorbitância do verbo mostra próximos desatinos.

Quem fala demais, não raciocina no que diz, e é intolerante para ouvir.

A língua metralhadora mata a própria alegria.

Não penses que estás vencendo, quando somente tu expões o assunto.

Talvez sejas o mais perdedor, o mais ignorante, e o teu prazer transitório
é na base da tolerância dos amigos.

Quando, entre companheiros, descobrires que a tua presença incomoda, pelo muito falar,
bata a tua mão, suavemente, nos ombros de alguns deles,
e peça-lhes a sua opinião sobre o assunto.

Posta-te, com interesse, na qualidade de quem vai, realmente, aprender com elegância.

Lembra-te de que a humildade, em uma hora dessas, é oxigênio divino

para purificar o ar da inquietação.

Não te aborreças com as criaturas, se elas nunca incentivam a tua vaidade.

Sê prudente com a pessoa que te coloca no pedestal da ilusão.

Os dois extremos te facilitam uma posição intermediária.

Quando conviveres com os outros, usa um pouco de cada coisa.

Os lábios marcados com a prudência, são qual a sombra e a água fresca no deserto,
luz na escuridão da mente e saúde para o enfermo.

É coisa rara, é planta aromática crescendo na consciência e começando a desprender sua fragrância na boca do sábio.

( CARLOS/ JOÃO NUNES MAIA)

VAIDADE


A vaidade, quando passa dos limites, é como tempestade no deserto:
não destrói nada, porque não tem nada para destruir. No entanto, não deixa ninguém passar.

A vaidade é igual ao sal: se não se o põe fica insípido; se se o põe muito,
o sabor se torna insuportável.

Ela é semelhante a um parafuso: se não ficar na medida não segura a porca.

alma pretenciosa faz muito barulho, e realiza pouca coisa.

Se tu fizeste alguma coisa, não desmereças a tua obra, falando muito dela.

Deixa essa tarefa para os outros. A auto-educação é trabalho nobre,
todavia a autovalorização é papel dos néscios.

A vaidade pode ser até um alimento, que, muito quente estraga o paladar,
e bem morninho agrada a consciência.

E o pior é falar muito do que não fizemos ainda: o amor próprio se transforma em desespero, e passa a acreditar nas piores das mentiras,
aquelas mais ou menos conscientes das ilusões afirmadas.

E a alma fica torturada pela consciência.

O gabo em boca própria é jardim sem flores, é casa sem habitação.

É teoria sem prática, é tributo sem ouvintes.

Só resta uma coisa para o que fala muito de si mesmo:
é que algum dia venha ele a fazer tudo o que diz.

A nossa mente pode ter uma grande fertilidade de criação, fornecida pela inteligência. Entretanto, a sabedoria nos mostra comedimento até no pensar.

Em muitos casos estamos sujeitos a criar ilusões que tomam formas mentais, a nos perseguirem,´pelo que prometemos a nós mesmos, e não fizemos.

A imodéstia é edifício levantado na areia: pode cair a qualquer hora.

A decepção maior é a do mentiroso, e não a dos que ouvem as suas lorotas.

E a cegueira mais forte dos que não falam a verdade ocorre
quando eles passam a acreditar nas suas próprias ilusões.

Quem promete muitas coisas e se esquece de cumpri-las, é como nuvens e ventos que não trazem chuva, é como papagaio que repete o que ouve.

É como o cão que ladra para a sua própria sombra.

A vaidade não é uma beberagem comum, deve ser tomada como doses homeopáticas.

( CARLOS/ JOÃO NUNES MAIA)

CINZÉIS


As tuas mãos têm o poder de mudar-te por dentro...

Agindo no exterior, agem na intimidade de ti mesmo.

O que aperfeiçoas por fora é o que aperfeiçoas em ti...

Construindo o mundo, estás na tarefa da autoconstrução.

O que fazes mexe com as tuas estruturas...

Poder-se-ia dizer que as tuas mãos são os cinzéis com os quais, incansavelmente, te burilas.

Por elas, é que te aformoseias...

Quanto mais ages, mais mudas.

Quanto mais mudas, mais te aproximas do que és em essência.

Quem não movimenta as mãos no bem permanece cativo do mal.

(IRMÃO JOSÉ/ CARLOS A. BACCELLI)

MÃOS QUE HUMILHAM


Não estendas as tuas mãos para humilhar...

Não as convertas em garras opressoras.

Que as tuas mãos não se transformem em vergastas dilacerantes...

Que jamais se ergam para asfixiar a esperança...

As tuas mãos!... Deus criou-as para utilizá-las no aprimoramento de tua Obra!

Não apontes o erro de ninguém, com o propósito de dele escarnecer.

As mãos que humilham são as que, ainda hoje, continuam a crucificar Jesus...

São as que lhe enterram fundo os cravos nas mãos...

São as que lhe coroam a fronte de espinhos...

São, enfim, as que o esbofeteiam e, no madeiro, lhe estendem a taça transbordante de fel e vinagre!...

( IRMÃO JOSÉ/ CARLOS A. BACCELLI)